Alvaro

 

Família Spallanzani Lusvarghi

Por: Alvaro Luiz Spallanzani

     O Vale do Itajaí, localizado no Estado de Santa Catarina, é uma região colonizada principalmente por imigrantes alemães, italianos trentinos (sendo que atualmente é considerado como a maior comunidade trentina fora da Itália), depois vieram os poloneses. Blumenau, fundada em 1850 por imigrantes alemães liderados pelo Dr. Hermann Otto Blumenau, denominada Colônia Blumenau, engloba diversos municípios que hoje são autônomos, como Rodeio, Rio dos Cedros, Timbó, Indaial, Pomerode, Dr. Pedrinho, Benedito Novo, Apiuna, e a sede que hoje é Blumenau.

     A imigração trentina para Blumenau iniciou-se por volta de 1875, sendo que esses imigrantes receberam seus lotes em terras periféricas e montanhosas, seguindo por caminhos – tifas – em meio à floresta. Foi dessa forma que surgiram as cidades de Rio dos Cedros, Rodeio e Ascurra, pioneiras na colonização trentina, cujas famílias hoje se encontram em diversas cidades do Vale e do Estado.

     Somente no ano de 1889, é que ali chegou a família de Ferdinando Spallanzani e Lucia Lusvarghi: O sexto grupo de imigrantes colonizou a atual Estrada dos Tiroleses, que partindo do centro de Rio dos Cedros chega até ao município de Timbó. O grupo foi composto pelas seguintes famílias, que fazem parte de nossa família, dentre outras:Carlini, Giovanni (de Canezza); Carlini, Girolamo (de Canezza); Carlini, Guerino (de Canezza); Chiogna, Giuseppe (de Cognola); Moser, Emmanoele (de Civezzano); Spallanzani, Ferdinando (Reggio dela Emília – Itália). A saga da família Spallanzani Lusvarghi, teve início em dezembro de 1888, quando da crise que se abateu na Europa e embalados pela promessa do governo Brasileiro, de enriquecimento rápido e fácil, fez com que nossos antepassados embarcassem no Navio Cachar, que chegou no Rio de Janeiro em 18 de janeiro de 1889.

     Dois dias depois, embarcaram para o Sul do Brasil, chegando em Itajaí SC e, dali, através de embarcação, provavelmente o Vapor Blumenau, navegaram pelo rio Itajaí Açu, cerca de 50 km, onde chegaram na tal Colônia Blumenau descrita acima.

     Ali receberam lotes do governo, entregues pelo próprio colonizador Dr Hermann O. Blumenau; apenas os homens seguiam viagem pelo mesmo rio Itajaí, as mulheres e crianças permaneciam em alojamentos até os maridos retornarem para buscá-las e as encaminharem para o devido lote. Através de canoas e picadas de caçadores, eles subiram o rio Itajaí, até onde hoje é a cidade de Indaial (cerca de 20 km) e entravam num braço do rio Itajaí, denominado hoje de Rio Benedito, pelo qual subiram cerca de 10 km, até chegarem no entroncamento do Rio dos Cedros com o rio Benedito, que na verdade nasce em Dr. Pedrinho, onde hoje se localiza o centro da cidade de Timbó. Dr. Pedrinho foi colonizado em 1926 e, em dezembro de 1948, passou a ser distrito de Benedito Novo.

     Naquela época, Timbó era Distrito de Blumenau, ali seguiram via picadas, até chegarem na região de Tiroleses, chamada de Travessão dos Tiroleses, lá se instalaram com muitos outros colonizadores italianos, onde viviam da agricultura, que era colhida, vendida e trocada com produtos em Timbó (colonizada pelos Alemães).

     Há relatos também de que havia muita intriga e disputas entre os Alemães e Italianos, resultando muitas brigas, hoje já não são mais tão acirradas estas disputas, visto terem sido feitos casamentos entre as duas etnias.
     Há, ainda, relatos de antigos em que diziam terem enfrentado muitos problemas e perigos, assim como muitos insetos, cobras, até mesmo onça (nosso puma). Houve muitas mortes na época, devido a isso, sem contar que naquela época viviam ali os índios, com os quais eram travadas muitas lutas, com mortes de ambas as partes, dali os índios eram expulsos até onde hoje vivem nos municípios de Ibirama e cantão dos município de Dr. Pedrinho (nas reservas).

     Os colonos, como eram denominados, recebiam o lote e uma parte em dinheiro, cerca de 150 a 200 contos de reis, para poderem iniciar a colonização. Nessas comunidades foram se instalando serrarias e olarias (cerâmicas), mas as primeiras casas eram verdadeiros barracos, feitos com paus retirados das próprias arvores, chamados de "pau a pique" e cobertos com lonas, mas ofereciam muitos perigos para os moradores.

Partindo desse início, descrevo abaixo o desenrolar da história de nossa família:

     Saída da Itália em dezembro de 1888 e chegada ao Rio de Janeiro no dia 18/01/1889, dois dias depois embarcaram rumo ao Sul para a colônia Blumenau, onde se instalaram na comunidade de Tiroleses, localizada hoje no município de Timbó. Vieram da Itália meu bisnono Ferdinando Spallanzani (Fernando) com 41 anos, minha bisnona Lucia Lusvarghi Spallanzani (Luzia) com 35 anos, meus tios Cristina com 7 anos, Guiuseppe (José) com 4 anos e Aldo com 2 anos.

     Minha nona Maria foi a única que nasceu no Brasil em 12/05/1890, casou-se com Octaviano Moser, filho de Emmanoele Moser e Angela Chiogna, vindos de Tirol-Austria, hoje Trento-Itália (essa região foi muito disputada pelos Austríacos e Italianos, fazendo ora parte da Áustria e ora parte da Itália, após a 1ª guerra mundial passou a pertencer em definitivo para a Itália).

     Ela teve 13 filhos que são:
Os nascidos em Tiroleses, Estefania, Altibano, Gumercindo, Helena, Avelina, Hercilio, Aldo, Olivio.
Os nascidos em Dr. Pedrinho, Beatriz, Elena (Alice), Palermo (Getúlio) meu pai, Hercules e Diondino.

     Meu nonos Octaviano Moser e Maria Spallanzani foram fundadores (juntos com outras famílias) do município de Dr. Pedrinho, Dados do Município: Municípios limítrofes: Rio dos Cedros, Benedito Novo, José Boiteux, Itaiópolis e Rio Negrinho. Área: 375,75 km² População: 3.937 hab. Altitude: 530 m Região Turística: Vale Europeu.

     Colonizada em 1926, em dezembro de 1948, foi criado distrito, tendo ido a município em 1989. Cidade onde nasci. Lá meus nonos adquiriram cerca de 70% do que hoje é o centro da cidade, onde vieram a instalar uma olaria (cerâmica) onde produziam telhas estilo escama de peixes, denominadas de taoletas pelos italianos colonizadores; viviam também da agricultura, principalmente de arroz, viveram muito da caça pois lá havia muito mato, ou seja, era só mato quando lá chegaram, subindo pelo rio Benedito, esta cidade está aproximadamente 30 km da localidade de origem Tiroleses onde viveram seus pais até morrerem e onde estão enterrados. Não restam muitos familiares lá, hoje estamos distribuídos em grande parte da região, inclusive em outros estados e país. Um fato muito triste nisso tudo é que meu nono Octaviano perdeu visão total nos 2 olhos quando da derrubada de arvore para colonização do local (viveu +- 30 anos nessa situação). Ali mesmo vieram a falecer e estão enterrados.

    Minha tia Cristina Spallanzani, casou-se com Alfredo Carlini, foi a única que permaneceu na localidade de tiroleses, hoje não existe mais nenhum descendente lá, pois todos se mudaram principalmente para Rio dos Cedros e Centro de Timbó. Cristina e o esposo viveram ali até seu falecimento onde estão enterrados no cemitério local.

     Os filhos de Cristina foram Valério, Orestes, Mário, Hercília, Clara, Maria e Elza (adotiva).

     Meu Tio José Spallanzani mudou-se para o Uruguai ainda solteiro com cerca de 30 anos, onde vivia da escultura de madeiras, sua profissão era entalhador de madeira, ou escultor, reproduziu várias obras de muitas cidades brasileiras e uruguaias. Sua morte se deu no Rio Grande do Sul, quando do retorno para o Uruguai, após ter concluído uma obra de arte na prefeitura de Timbó, quando da comemoração do centenário da cidade. Hoje está enterrado no Uruguai, creio que em Montevideo.

     Lá ele se casou com Sarah e teve 2 filhos, Américo e Plinio. Américo Spallanzani residiu no Uruguai e teve 2 filhos. Plinio Spallanzani se casou com Mireya e teve 5 filhos, se mudou para Argentina quando da construção da hidrelétrica de Salto Grande onde foi Diretor; ao que nos foi dito também foi um dos engenheiros da construção da hidrelétrica de Itaipu. Tanto Américo quanto Plinio são falecidos, apenas seus descendentes se encontram nesses países.

     Do tio Aldo, pouco se sabe, apenas que se mudou para o Uruguai, junto com o José e lá se casou, tendo apenas 1 filho ao que parece também chamado Américo. Faleceu bem jovem, quando seu filho ainda era bem pequenino.
Concluindo, todos esses relatos, são tirados de informações e documentos fornecidos por parentes vivos, podem sofrer alguma modificação, ou inclusão de novos dados, pois continuo atualizando minha árvore genealógica de todas as famílias que compõem a minha.