"Causo" número 1

Este é o primeiro "causo" que conto aqui. Desde 28 de novembro até 12 de dezembro de 2007, estivemos, minha esposa e eu, em viagem por Londres, Paris, Milão, Verona e Veneza. Desisti de ir a Reggio Emilia, como pretendia.

Lembram-se de Emilia (Lusvarghi) Gali? Aquela senhora que morava na França e me contatou, dizendo que era neta daquele parente que meu avô Domenico visitou antes da segunda guerra mundial?

Pois é, contatei-a antes de viajar e ela não quis sequer encontrar-se conosco em Paris, onde morava, ou mesmo em Reggio Emilia. Disse que sua mãe estava doente e ela não mais estaria em Paris mas, sim, em Reggio Emilia. Quando eu disse a ela que seria muito legal, então, a gente se encontrar em Reggio Emilia e, assim, ficar conhecendo a ela, a mãe dela e outros parentes, ela desconversou, dizendo para informarmos a data em que estaríamos em Paris, pois ela faria o possível para estar lá. Informei, mas não recebi resposta. Aí, passei outro e-mail dizendo que não tinha importância tudo isso não. Mais importante, na verdade, seria ela se dedicar à mãe e, numa outra oportunidade, talvez, a gente pudesse se conhecer pessoalmente. Nada de resposta.

Viajamos assim mesmo. E foi aí que desisti de ir a Reggio Emilia.

Estou começando a pensar que ela foi "contaminada" pelo vírus da desconfiança que já "acometera" aquele seu primo (também primo da Anamaria) lá de Reggio Emilia. Aquela desconfiança de que nós, italianos nascidos "a l'estero" (fora da Itália), só estamos em busca de heranças e/ou interesse próprio. Não se convencem jamais de nosso amor desinteressado pela história das pessoas que nos antecederam neste mundo. E da vontade que temos de manter uma certa união entre os familiares.

Ou então, pior ainda, pode ser que ela tenha tomado conhecimento de algum bem (sei lá) porventura deixado por meu avô sob a guarda daquele parente dele e, agora, teme ter que devolvê-lo, temor que deve estar assolando aquele primo dela (também primo de Anamaria) comentado acima. Esse cara, uma vez, num telefonema do Edison (filho do tio Francisco), disse-lhe que eu só andava atrás de heranças. Anamaria mesmo, certa vez, afirmou que o dito cujo ofensor era um "caça-heranças". Dizem que as pessoas julgam aos outros como a si próprios, não é?

é uma pena porque, sem notarem, estão desobedecendo a um supremo mandamento de Deus (ama a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo), aperfeiçoado por Jesus, quando disse: -"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis." (João 13:34)

Em Verona, tive a oportunidade de ouvir repetidas vezes de uma recepcionista do hotel a palavra "stranieri" (estrangeiros, em italiano) referindo-se a nós, os italianos que não nasceram na Itália, passando-nos uma sensação de ódio às pessoas descendentes de italianos que nasceram em outros países.

Não sei porque tudo isso. Somos pessoas de bem sendo pré-julgadas com extremo rigor por pessoas que deveriam respeitar a coragem que tiveram nossos antepassados em deixar seu país de origem, que passava por tempos de extrema pobreza e necessidade e não oferecia mínimas condições de vida a seu povo àquela época, atitude que aliviou grandemente o sofrimento dos que lá ficaram porque diminuiu a concorrência pelo trabalho, pelos bens e pelos alimentos, riquezas essas que puderam ser distribuídas com maior abundância entre o menor número de pessoas que não tiveram a coragem de enfrentar as dificuldades de emigrar e ali remanesceram. Esse relato pode ser visto aqui.

Além disso, embora ache uma atitude injustificável da parte daqueles cidadãos, parece-me que o mundo está, mesmo, caminhando para uma grande apostasia e um individualismo nunca vistos, fazendo transparecer que o final dos tempos, a que a Bíblia se refere, realmente está às portas.

Vejam a diferença: estivemos no Japão, há algum tempo e ficamos maravilhados com a receptividade dos japoneses. A maioria deles não se cansava de agradecer-nos pela acolhida que o Brasil e os brasileiros ofereceram a seus antepassados que emigraram para cá por motivo semelhante. Nem são cristãos, vejam só. Também a educação e a disciplina ali são muito diferentes. Recentemente, após o "tsunami" que os assolou, não se teve notícia de um caso sequer de saque, furto ou coisa parecida. Até um garoto de oito ou onze anos, não sei bem, entrevistado pelas TVs do mundo, disse que aquele prato de comida que lhe deram iria dividir com quem ainda estivesse com fome.

Bem, um "causo" é este. Agora, vamos ver se alguém tem mais coisas para contar.

Abração, pessoal.